Blogagem Coletiva - Infância
Para relembrar e entender, sugiro que dê um pulinho em: Blogagem Coletiva Fases da Vida - Nascimento . Com a morte de meu pai, bem sofrida, pois na sua agonia, ele ficara abraçado a ela e não permitia que ela se soltasse dele até seu último suspiro, minha mãe com 21 anos, assustada foi morar de volta com a mãe e o irmão na fazenda. E praticamente ali, nessa fazenda eu fui crescendo rodeada de todas as minhas tias primas e primos. Uma infância inesquecível!
Lembro-me perfeitamente do bambual ali atrás. Ele era gigantesco para meu tamanho e ficava ao lado do forno de cozer pão, dos tanques para lavar roupas, pois a família era grande demais. Minha mãe era a primogênita de nove irmãos, sendo três homens e mais sete, com ela, de mulheres. A vida dela foi de muito sofrimento, pois sendo a mais velha, ela tinha que ajudar minha avó em todos os afazeres que eram muitos.Nesta foto ela está com seu irmão e duas irmãs. Vestiu trajes de viúva por um ano Eu não tenho mais fotos de minha infância pois eu estraguei todas.
A escola era lá na fazenda e meu tio hospedava a professsora que dormia no meu quarto também. Além das lições que a professora passava, minha mãe me fazia decorar as tabuadas, fazer exercícios de caligrafia e mandava sim, a professora dar mais atividades em casa. Chegávamos da escola e corríamos para o pomar. Lá, eu elegi um pé de tangerinas para ser meu navio pirata, pois em cima do galho, eu me balançava como se fosse um navio e adorava falar: "Terra à vista". Na fazenda, tinha um rio e meu tio, construiu uma máquina que beneficiava o arroz, fazia fubá e eu amava olhar para aquela gigantesca pedra , a mó, que triturava o milho que escorria fazendo o melhor e o mais puro fubá. Minha bisavó era a incumbida de nos alimentar com polenta e leite pelas manhãs. Não nos era permitido nadar, mas fugíamos para fazê-lo. Eu gostava de pescar e da turminha, eu era a única a fazê-lo. Éramos um bando alegre de crianças. Ao entardecer, eu ficava deitada na grama, olhando para o céu para ver a primeira estrela brilhar. Na época da colheita de café íamos para o terreiro para virar o café que secava ao sol e ficávamos horas e horas procurando o "filipe" que era um grão gêmeo de café. Era um troféu para quem o achasse. Eu não entendia porque os adultos não nos deixava andar a cavalo e eu gostava tanto! Nossa tarefa era alimentar as galinhas, recolher os ovos, ir para o paiol lotado de milho para descascar, encher os balaios e jogar para os porcos e galinhas. Gostava muito quando havia mutirões na fazenda. Era para roçar o pasto, e para muitos homens, roçando, minha avó fazia bacalhau com batatas numa panela imensa. Quando todos chegavam para o almoço, era uma alegria ao redor da comida. Havia mutirão também para tosquiar as ovelhas e eu me divertia vendo-as berrando e saindo peladinhas, tão feinhas! Ah! Quando a noite chegava, a faina não acabava, não. O rádio era ligado, nós, as meninas, sentadinhas nas cadeiras, desfiávamos a lã das ovelhas porque minha bisavó fazia acolchoados para todos da região! Ela amarrava lindas toalhas de saco, branquinhas, tecendo aquele trançado lindo nas barras. Minha avó fazia crochê e a sala sempre cheia, pois o rádio era a atração da redondeza. Daria um livro se eu fose narrar a minha infância! Crescemos fortes de caráter, de espírito confiantes em Deus, íntegros e inteiros para a vida. Minha mãe não poupou desvelos e rédeas. Lutou na máquina costurando calças para os trabalhadoes da região, ensinava também a cortar e costurar roupas, para que eu me formasse. E ela conseguiu!!! Hoje estou só, sem ela, sem meu amado esposo, mas lutando com meus filhos.
Minha família, a quem também lutei e luto copiando os moldes como minha mãe me criou. Na foto falta minha neta que estava em outro salão brincando.
Mais uma vez, o meu grande agradecimento a Rosélia do Espiritual-Idade, Nacozinha da Gina e Rute do Publicar para Partilhar, que me proporcionaram esse momento tão lindo de recordação!


